6 Dias | Crítica: Filme de ação sobre terrorismo do Netflix

6 Dias, filme original Netflix, lançado em 2017, pode ser considerado mais um filme de suspense do que de ação, como é classificado.

A trama, baseada em fatos reais, é o relato dos acontecimentos que envolveram a Embaixada do Irã, em Londres, em abril de 1980.

O ataque ocorreu pouco tempo após a posse de Margaret Thatcher como Primeira-Ministra britânica. O filme é fiel em demonstrar a política do governo britânico para com terroristas: tolerância zero.

O filme narra à invasão de terroristas à Embaixada Iraniana, em Londres, fazendo vinte e seis reféns, durante seis dias, em 1980.

É uma co-produção entre Inglaterra e Nova Zelândia, dirigido por Toa Fraser e roteirizado por Glenn Stranding, ambos neozelandeses.

No elenco estão Mark Strong, como sempre, excelente performance, Jamie Bell, Abbie Cornish, Martin Shaw, Ben Turner, Tim Pigott-Smith, Aymen Hamdouchi e Kip Chapman.

O Elenco de “6 Dias”

O enredo se desenvolve basicamente em torno de três personagens. Os protagonistas: Rusty Firmin, interpretado por Jamie Bell e Max Venon (Mark Strong). Também, Salim (Ben Turner) é o antagonista, líder dos terroristas.

Bell é soldado que lidera a força-tarefa da SAS – Força Especial do Exército – e Mark Strong, interpreta o negociador da polícia britânica.

Abbie Cornish, por sua vez, interpreta a jornalista da BBC, Katie Adie, que, embora fundamental para o enredo, não se sobressai.

Um personagem indireto é a própria Primeira-Ministra, que é referida ao longo do filme como uma presença real.

Os personagens Max Venon, chefe de polícia e negociador, e de Salim, o líder do grupo terrorista, estabelecem entre si uma relação emocional. Todos os outros personagens estão no enredo para desempenhar uma função – a de combate ao terrorismo.

6 Dias: Sobre o filme

Jamie Bell está ótimo nesse filme. De Billy Elliot (2000) a Rusty Firmin, personagem que interpreta em 6 Dias foi uma longa jornada. Um soldado impaciente que sabe bem desempenhar sua função. Ele intitula a si mesmo e ao grupo de “cleaners”, por que fazem o que for preciso para resolverem os problemas. São treinados como elite do Exército.

No plano de fundo, estão os personagens que estabelecem um ritmo de suspense para a trama. Políticos, autoridades policiais, MI5, MI6 e força-tarefa.

A interlocução de Williem Whitelaw (o ator Tim Pigott-Smith, falecido em 2017), traz à cena, Margareth Thatcher. A ênfase é dada ao seu discurso de não ceder aos terroristas e de transparência no combate.

O filme tem poucas cenas de ação. Estas ficam a encargo dos treinamentos dos soldados da SAS e dos trinta minutos finais  O desenvolvimento destaca mais as negociações entre Max Venon e Salim, e as discussões entre políticos e autoridades.

O suspense fica por conta da ação iminente dos soldados contra a embaixada. Entretanto, sempre interrompida, no último momento.

Crítica

Há uma discussão crítica sobre a falta de um desenvolvimento mais profundo de cada um dos cinco núcleos que integram o enredo.

O filme perderia sua intenção primordial: ser um filme de ação. Se assim fosse conduzido, enveredando por rumos dramáticos e conflitantes de aprofundamentos de histórias individuais, ele ficaria pesado e desgastante.

O filme conta uma história real. O foco é o ataque terrorista. O enredo aborda todos os protocolos que o governo instaura e segue para eliminar e impedir outros ataques.

O diretor Toa Fraser centralizou nesses protocolos e nas funções de cada personagem o fio da trama. As histórias individuais e suas interações com outros núcleos foram descartadas.

Um método eficiente para contar uma história pelo seu caráter didático, porém fraco para a importância deste tema.

Glenn Strending, roteirista, decepcionou, transformando um fato contundente, que chocou a Inglaterra e o mundo todo, em um filme burocrático.

Ele reduziu a vulnerabilidade de superpotências a ataques terroristas a um nível de meras conversações e negociações. O filme não conduz a grandes expectativas do espectador sobre o seu desfecho.

Quem teve a experiência de ser contemporâneo daqueles eventos, ficará decepcionado. Sobretudo com o enfoque dado à narrativa jornalística como um todo. Especialmente à figura da Jornalista da BBC, Katie Adie. Sua atuação não conseguiu transmitir ao público espectador a dimensão dos fatos que fundamentam a trama.

Narrativa

O tom da narrativa é monótono, a fotografia não revela a ambientação desejada. Sobretudo os diálogos, que são até mesmo ingênuos diante da intensidade da situação.

No cômputo geral, o crédito do filme vai para a excelente atuação de Mark Strong, que garante credibilidade a produção.

Um grande ator tem o poder de elevar um script banal ao verdadeiro status da história que conta. Claro está que contou com o suporte de nomes de peso no elenco, como Martin Shaw, por exemplo.

O que marca o filme, do princípio ao fim é a relação entre o negociador e o terrorista. A compreensão do negociador e a confiança do terrorista são os pontos fortes que permeiam a trama.

Entretanto, a permanente ameaça do terrorismo, impotência, medo, pânico, o caos diante dessa realidade, tudo isso foi desconsiderado, em 6 Dias.

Contudo, perdeu-se a oportunidade de se valorizar um fato histórico.

Vale a pena assistir?

Apesar de todas as falhas, no geral, o filme é bom. Consegue ser um entretenimento, mais uma vez, por conta das excelentes interpretações.

Sobretudo, o destaque vai também para a trilha sonora, ao encargo de Lachlan Anderson e David Long.

O filme não é necessariamente para cinéfilos, apreciadores da sétima arte, mas para consumidores da indústria cinematográfica.

De qualquer modo, a crítica passa pela experiência pessoal e nada melhor do que cada um avaliar por sua própria ótica.