A Freira | Crítica: filme de terror da série Invocação do Mal

A Freira (The Nun, em inglês) é mais uma carta do baralho mal-assombrado que veio a se chamar o Universo de Invocação do Mal.

A franquia de terror – estilo Universo Marvel – começou após o sucesso de 2013 que arrecadou U$ 381 milhões, apenas durante a estréia.

Os estúdios Warner Brothers Pictures e New Line Cinema, então, iniciaram uma série de continuações e spin-offs (derivações), todas bem-sucedidas. Ao todo, já são quatro filmes: Invocação do Mal, Annabelle, Invocação do Mal 2 e Annabelle 2 – Criação do Mal.

A Freira é o quinto longa da série e introduz como centro o demônio Valak. O Grande Presidente do Inferno lidera trinta legiões de demônios e se apodera de corpos benignos da Igreja, como freiras e acólitos.

Valak foi apresentado na franquia, em Invocação do Mal 2 e, também, em Annabelle 2. Naquele, a demonóloga Lorraine Warren invoca Valak para desvendar um assassinato, na década de 70.

A Freira: A História

Após o sucesso do excelente terror de Annabelle 2, os estúdios associados, Warner e New Line, iniciaram um concurso para cineastas. O objetivo era criar um curta-metragem original que captasse o espírito do Universo de Invocação do Mal.

O vencedor, Julian Terry, apresentou história intitulada “A Freira”, relatando uma aparição de Valak em um convento romeno, em 1952.

E, assim surgiu a história do mais novo filme da sequência, expandindo o enredo do demônio Valak em um novo longa-metragem da franquia.

Cronologia

Para entender o timeframe do filme é preciso compreender a sequência racional de toda franquia – por que há uma.

Todos os spin-offs, incluindo A Freira, são antecessores do original. Isto é, histórias que buscam explicar o surgimento das possessões que Ed e Lorraine Warren, posteriormente, foram chamados a investigar.

Não existe uma relação direta entre as histórias de A Freira e Annabelle. Contudo, ambas as entidades foram apresentadas nos filmes Invocação do Mal, sendo Valak, no segundo filme. E, assim, todas passam a configurar o mesmo espectro dos filmes sobrenaturais.

Desse modo, Annabelle: Criação do Mal (2017) é, temporalmente, a história inicial. Ela começa em 1943, a partir de um acidente de carro. Após, situa-se A Freira que, acontece no ano de 1952.

Atenção: Spoiler!

A última cena do novo A Freira pula para 1971 em uma cena já vista no primeiro Invocação do Mal.

Então, quem desejar assistir a franquia em ordem cronológica, deve assistir Annabelle 2, A Freira até esta cena, voltar para o primeiro Annabelle e, então, assistir Invocação do Mal e Invocação do Mal 2.

Ufa, que confusão! Mas é isso aí.

Direção e Equipe

A história de Julian Terry foi adaptada pelo Diretor e Produtor de Invocação do Mal, James Wan.

Wan é veterano da franquia de terror muito bem-sucedida “Jogos Mortais”. Dirigiu também o terror “Sobrenatural”. Infelizmente, o diretor não pôde abarcar nesta empreitada por estar envolvido em outro filme muito esperado para 2018, Aquaman.

A direção ficou, então, a encargo de Corin Hardy, de outro filme de terror, A Maldição da Floresta.

Roteiro por Gary Douberman, que exerceu mesma função em dois filmes da franquia: Annabelle e Annabelle 2. O roteirista também adaptou o sucesso It: A coisa, de 2017.

Elenco

O novato Jonas Bloquet interpreta o protagonista Frenchie, jovem que inicia o filme descobrindo o evento principal da história.

Taissa Farmiga – irmã de Vera Farmiga, protagonista de Invocação do Mal – interpreta a noviça Irmã Irene, intensa, dramática e fundamental para o desenrolar da trama.

Damian Bichir, por sua vez, é o Padre Burke, que completa o trio principal do filme.

Valak ou A Freira é interpretado por Boonie Aarons, mesma atriz que viveu o demônio em Invocação do Mal 2.

A Freira: o filme

No ano de 1952, um monastério na Romênia, é envolvido em uma trama sobrenatural. O motivo é uma série de mortes atribuídas a uma entidade demoníaca, chamada Valak.

Tudo começa quando Frenchie (Jonas Bloquet), um jovem romeno, descobre uma freira enforcada morta, pendurada na frente do convento. A princípio, a morte parece suicídio isolado. Contudo, após uma série de eventos semelhantes, a tese é complementada.

Divulgada a informação, o Vaticano envia uma dupla de religiosos encarregados de desvendar e investigar o mistério.

O Padre Burke (Damian Bichir), convocado diretamente pela instituição religiosa e Irmã Irene (Taissa Farmiga), uma noviça que, surpreendentemente, é convidada por Burke para acompanhá-lo.

O trio desvenda que as mortes são ocasionadas por causas sobrenaturais. Uma entidade demoníaca que se apresenta como o espectro de uma Freira tem assassinado as freiras do convento.

Inicia-se, então, uma luta mortal entre as forças do bem, humanas e o mal, na figura de Valak.

Crítica: A Freira

No cômputo geral, A Freira tem recebido péssimas críticas.

Dentre os filmes da franquia de terror, este se apresenta como um dos mais mal trabalhados.

Apesar de bem escrito o roteiro, a direção de Corin Hardy deixou a desejar com técnicas ultrapassadas e pouco inventivas. Um filme de terror que produz sustos previsíveis é um filme que não cumpre o propósito pretendido.

Hardy se utiliza do mesmo recurso de baixar a música, rodar a câmera para os dois lados e quando volta pro personagem foco, encontra o objeto sobrenatural. Já na segunda vez, o espectador “saca a pegada” do diretor e se decepciona.

De mesmo modo, as interpretações têm suscitado diferentes reações e críticas.

Por um lado, o veio cômico do personagem Frenchie foi de forma magistral interpretado pelo ator Jonas Bloquet. As tiradas engraçadas através de constatações óbvias e sem a formalidade religiosa da dupla do Vaticano dão certo alívio ao clima intenso da película.

Por outro lado, algumas das mais pesadas críticas circundam, justamente, nesse ponto. Há quem diga que toque cômico em um filme de terror é prelúdio de fracasso. Terror tem que ser apavorante.

Bichir trouxe mediocridade ao papel.

Grata surpresa foi Tessia Farmiga que, na pele da Irmã Irene trouxe complexidade a personagem.

Ela está muito bem no papel da noviça dramática que luta contra as forças do mal. Verdadeira Rainha do Grito e motivo de inveja da própria irmã, pioneira da franquia.

Independente das críticas, o filme, com data de lançamento para 06 de setembro deste ano é esperado pelos fãs da franquia. Além de encaixar mais uma peça no quebra-cabeça que é o Universo de Invocação do Mal.

A série já conta com mais duas adições para 2019: Invocação do Mal 3 e The Crooked Man, também introduzido no filme original.