Ghoul Netflix – A série de terror baseada num folclore árabe

Ghoul, nova série de terror do Netflix possui uma trama imersa em um universo bastante sombrio. Pelo artifício de um mito muçulmano, a história emprega um tema totalmente original ao que estamos acostumados. Entretanto o frio e desconsolado cenário da série muito se assemelha aos gêneros de terror “a lá Hollywood” que estamos habituados de assistir.

O gênero terror atrai uma legião de fãs ao redor do mundo. Por ano, dezenas de produções, cinematográficas e televisivas, surgem na busca de nos aterrorizar até o último fio de cabelo. Entretanto, poucas podem efetivamente se intitular originais.

Dito isto, a série Ghoul entra como um renovo verdadeiro em um contexto no qual, constantemente, vemos mais do mesmo.

Baseado no folclore árabe muçulmano e adaptado dentro da cultura indiana, o roteiro é como nada visto anteriormente. Um misto de estratégias: se apropria da mística do passado para construir uma ficção futurista de terror. Isso tudo, sem contar com a premissa rebuscada do background de crítica ao regime político e religioso.

E ainda, leva o selo da produtora de maior sucesso no gênero, atualmente: Blumhouse Productions em associação à Netflix indiana e a Phantom Films.

A Blumhouse tem no seu catálogo os maiores sucessos da atualidade no gênero, como Atividade Paranormal, Ouija, Corra!, Uma Noite de Crime e, mais recentemente, Halloween – 2018.

Lançada em setembro deste ano, esta é a segunda produção da Netflix da Índia. A primeira, um suspense policial intitulado Jogos Sagrados, foi um sucesso modesto.

O Mito Ghul

O nome adaptado para inglês, Ghoul, vem do vocábulo árabe Ghul – sem tradução – que se refere a um demônio rebelde e necrófago. Diz a lenda muçulmana que estes seres habitam lugares inóspitos como desertos, bosques, cavernas ou quaisquer lugares em que possam encontrar morte recente.

Desse modo, por buscarem constantemente cadáveres humanos para se alimentar, frequentam cemitérios para profanarem tumbas.

Apesar disto, têm preferência por assassinarem humanos, tanto adultos como crianças. Para tanto, têm capacidade metamorfa de modo a atrair suas presas humanas.

Ghoul: a série

“Faça um acordo de sangue e, do fogo que não queima, o Ghul surgirá.”

Com esta frase, o primeiro episódio dita o tom da série. De fato, são apenas três os episódios nesta primeira temporada. Inclusive, isto permite que seja considerada como minissérie, a critério pessoal.

Contudo, a excelente produção e enredo dão o gatilho certo para uma segunda temporada.

Uma ambientação muito semelhante ao famoso jogo de arcade House of the Dead. Isso significa dizer que os cenários são pouco iluminados, molhados, sujos, além de contarem com estruturas arquitetônicas fechadas e abandonadas.

Também, é possível perceber que a série não teve um orçamento inicial polpudo. Claramente, foi uma aposta da Netflix e não conta com efeitos especiais de última geração.

E é nisto que está o apelo da série. Porque, mesmo assim, ela atrai, cativa, prende a atenção e deixa um gostinho de “quero mais”, no espectador.

Salvo as evidentes tentativas de abranger a história para o público ocidental, a obra é fundamentalmente, pautada na cultura indiana. E, toda falada em Hindi.

A história

A série retrata uma sociedade indiana do futuro, na qual a censura e a forte ditadura militar dominam.

A violência sectária, isto é, aquela voltada para a diferença social, deu margem para que a repressão militar se tornasse o regime vigente. A partir daí, fecharam as escolas, as universidades, queimaram todos os livros. E, reprimem fortemente qualquer cidadão com conhecimento intelectual que possa questionar o sistema, os quais são considerados terroristas.

Neste contexto, Nida Rahim é uma recruta para o exército tirano da Índia. Ela compõe o treinamento do Esquadrão de Defesa do governo, no setor de Interrogação Avançada da Academia.

Após trair o próprio pai, denunciando-o às autoridades como possível terrorista, ela é alocada para o Centro de Interrogação Avançada chamado Meghdoot 31. Neste, ela fica sob a responsabilidade do Coronel Sunil Dacunha que guarda um segredo. E, a recruta por uma razão muito específica.

Rahim é muçulmana e há um conflito tácito entre sua religião e o desenvolver das suas atribuições profissionais.

Especialmente, quando é destacada como responsável pelo interrogatório do terrorista mais procurado do país: Ali Saeed Al Yacoub. Este, líder do Movimento do Povo Unido, chega a instalação em uma ambientação macabra e muito misteriosa.

É a partir daí que a trama de terror se desenvolve. Na convergência entre o credo pessoal da recruta, tanto religioso quanto político, e a exposição do terrorista, de segredos e mentiras que ela mesma desconhecia.

O pacto demoníaco é desvendado a partir do confronto do terrorista com seus interrogadores.

A partir do segundo episódio, a série não poupa o espectador de muito sangue e tortura, além de imagens demoníacas. São cerca de 45 minutos de muita violência e cultura maligna.

O elenco

Guarde este nome: Radhika Apte.

A protagonista, que interpreta a recruta Nida Rahim, está fenomenal no papel e, certamente, trilha seu caminho rumo a Hollywood. Aliás, ela também atua na outra produção original da Netflix indiana, mencionada no início do texto.

Patrick Graham é tanto roteirista quanto diretor da série. O britânico atua no mercado cinematográfico indiano há algum tempo. E, Ghoul – trama demoníaca é o seu primeiro grande projeto.

O terrorista Ali Saeed é interpretado muito bem, aliás, por Mahesh Balraj. Enquanto o Coronel Sunil Dacunha é trazido à vida pelo ator Manav Kahul.

O pai rebelde e intelectual de Nida Rahim, Shahnawaz Rahim é interpretado por S. M. Zaheer.

Por último, a atriz Ratnabali Bhattacharjee compete em qualidade e excelência com Apte. Interpretando a oficial militar Laxmi, braço direito de Dacunha, ela rouba a cena e traz acidez e profundidade ao papel.

Em fim, a série parece que veio para alterar os rumos dos conteúdos de terror produzidos pelo serviço de streaming. Com alta qualidade e muito apavorante, Ghoul veio para ficar.

Já aguardamos a continuação com a segunda temporada.

Não perca Ghoul – Trama demoníaca no Netflix.