Limitless | Crítica: série da pílula da inteligência do Netflix

Limitless é o nome da série originalmente da CBS, exibida entre 2015 e 2016. Limitless teve somente uma temporada, sendo cancelada logo depois.

Há uma especulação sobre uma segunda temporada desta série, resgatada pela Netflix, mas por enquanto ainda é apenas um projeto.

A série é baseada no filme de 2011, estrelado por Robert de Niro, e Bradley Cooper como protagonistas. Aliás, Bradley Cooper é um dos produtores da série e também aparece, em participação especial, ao longo temporada.

Segundo Craig Sweeny, produtor executivo da série, nesta possível segunda temporada, o personagem principal será outro. Entretanto, mantém-se o fundamento da série que aborda os efeitos do NZT, uma droga poderosamente estimulante das funções cerebrais.

Como o tema é bastante controverso, ainda não se definiu realmente sobre a continuidade da série. Só que a Netflix apostou na história, relançou a série que tem alcançado um grande sucesso de audiência.

Desse jeito, não demora muito, o público continuará conferindo a continuação de Limitless.

Limitless: A série

O enredo mostra os efeitos de uma droga estimuladora das funções cerebrais, NZT, em seus usuários. Ela acelera as funções do cérebro e potencializa assustadoramente a capacidade de aprendizado.

A primeira temporada focaliza a vida de Brian Finch, um músico de vinte e oito anos, fracassado na carreira. Sem qualquer boa perspectiva de vida, ele se torna uma decepção para a própria família.

Desiste da música e vai trabalhar como arquivista temporário em um banco de Manhattan. No emprego, encontra um antigo parceiro da banda musical, Eli Whitford, usuário do NZT, que o introduz ao mundo da droga. Eli também trabalha no banco onde tem uma carreira muito bem sucedida como investidor.

Brian vai ao apartamento de Eli para conseguir mais NZT e constata ali que houve um crime.

Suspeito desse crime e tentando provar sua inocência, Brian é baleado por outro usuário do NZT. Sem poder recorrer a hospitais, tenta ele mesmo retirar o projétil de sua perna e acaba desmaiando.

Acorda em outro ambiente e se depara com Edward Morra, personagem de Bradley Cooper no filme, agora um Senador. Compelido pelos efeitos colaterais da droga, faz um acordo com o Senador que não pode ser revelado a ninguém.

Ao mesmo tempo, Brian vê-se ainda envolvido em um drama familiar. Seu pai, Dennis Finch encontra-se hospitalizado com uma doença grave, até então sem ser diagnosticada.

A partir daí, a vida de Brian Finch muda radicalmente.

Acusado de um crime que não cometeu, recebe a ajuda de uma agente do FBI, Rebecca Harris, para provar sua inocência. Assim, começa a trabalhar para o FBI, desvendando casos dificílimos sob o efeito do NZT. A droga lhe é fornecida pela própria agência.

Ele descobre que o NZT é parte de um projeto inacabado do governo.  Contudo, ele é aceito, porque objetivo do FBI é investigar o que torna Brian imune aos efeitos colaterais da droga.

Ele passa a trabalhar ainda em parceria com outros agentes, dentre os quais, Spellman Boyle, mas sem autonomia para agir. Sempre ameaçado de ser despedido, caso desobedeça ordens de Nasreen Pouran, Diretora da agência. Todavia, protegido por Rebecca, ele permanece, enquanto tenta se desvencilhar do acordo com Eddie Morra.

Elenco

No elenco estão Jake Mc Dorman (de American Sniper) no papel principal e, certamente Bradley Cooper, com aparições especiais.

Mary Elizabeth Mastrantonio, que andava meio sumida, atriz premiada com o Oscar por A Cor do Dinheiro (1987). Fez sua estréia no cinema em Scarface, do diretor Brian de Palma.

Jennifer Carpenter, de O Exorcismo de Emily Rose (2005) e conhecida pela série televisiva Dexter.

Ron Rifkin, conhecido ator de séries televisivas americanas, como Alias, L.A. Confidential e Brothers & Sisters, onde atuou com Sally Field.

Hill Harper, da série CSY: NY e The Good Doctor.

A Crítica

Limitless paradoxalmente foi uma série bastante limitada na construção de seu personagem principal e propósito final. Comparado ao filme, de onde foi derivada, a série deixou muitas lacunas a serem preenchidas.

Talvez, por isso, tenha sido cancelada logo na primeira temporada, embora a alegação seja a polêmica em torno do tema. Nunca, na história do cinema ou da televisão norte-americano abordagens sobre drogas causaram impedimento para consecução de um projeto. Ao contrário. Normalmente, dá muito lucro de bilheteria.

Na série, a premissa não sustenta a história, quando por si só essa seria o suficiente. A tentativa de conferir normalidade ao personagem de Brian Finch estragou o projeto.

Faltou ao script a dimensão futurista que caracteriza o personagem central. Um homem que se descobre diante de um mundo de possibilidades totalmente ilimitadas pelo uso de uma droga. Algo capaz de potencializar suas funções cerebrais, dando-lhe poderes especiais para chegar onde quisesse.

O personagem acabou reduzido à mesmice do lugar comum, de alguém manipulável por um sistema obsoleto. Alguém que mata charadas e ajuda o governo a encontrar criminosos.

O trivial das séries, do gênero de investigação criminal, sem acrescentar nenhum dado novo. O protagonista funciona como coadjuvante neste roteiro. O conjunto ficou rudimentar e insosso.

Há muitas dessemelhanças nesse roteiro em relação ao filme. É impossível não comparar, já que a série é uma derivação. Quando Eddie Morra, personagem do filme interage com Brian Finch, o personagem da série, fica em evidente disparidade.

Apesar de os cenários não despertarem o interesse na trama, a dinâmica das cenas de ação prendem o espectador. Entretanto, os diálogos não acompanham esse ritmo, mesmo com o bom desempenho dos atores.

Por outro lado, o tom cômico do personagem principal, de algum modo, conseguiu redimir um pouco a série. As escapadas, as fugas, a displicência de Brian Finch diante de seu “admirável mundo novo”, cativam o espectador. Essas características do personagem são o apelo da série. É o elo que leva o espectador a assistir ao próximo episódio.

Cogita-se uma nova temporada de Limitless. Se voltar ao modelo original, pode dar certo. Se não, será somente mais uma temporada fadada a certa mediocridade. E, se ficar trocando de protagonista o tempo todo, pior ainda.

Uma pena, porque o filme foi muito bom: cumpriu integralmente a premissa do projeto. Também, pudera, Bradley Cooper, Robert de Niro e um enredo fantástico, o que poderia dar errado? Apesar de a crítica ter sido cética, o filme rendeu boa bilheteria.

O importante é que o público gostou da primeira temporada da série Limitless e está torcendo pela continuidade.

E, como sempre, o que vale é o entretenimento, confira Limitless, no Netflix.