O Alienista | Netflix: série sombria remonta os limiares da psicanálise

O Alienista (The Allienist), série dramática do Netflix – que nada tem a ver com a obra de Machado de Assis – é baseada no romance do escritor Cable Carr, publicado em 1994.

Com dez episódios, a primeira temporada estreou em 19 de abril de 2018, trazendo ao Netflix uma trama de suspense, macabra e perturbadora.

A série retrata os primórdios da criminologia, psicologia e psiquiatria forense. Sobretudo em uma época onde os pesquisadores da mente humana carregavam o título de Alienistas.

Dizia-se que todo aquele que se desvirtuava do comportamento social padrão era ‘alienado’. Portanto, os profissionais que os estudavam eram considerados Alienistas.

O Alienista: Enredo

Situada na Nova York de 1896, a trama começa com vários assassinatos brutais a jovens prostitutos. Sobretudo os que trabalham em bordéis e becos localizados em Manhattan.

Deste modo, por conta do alvo dos assassinatos serem meninos pobres, imigrantes e prostitutos, os membros da polícia de Nova York ignoram e, até mesmo, encobrem a existência de um assassino solto na cidade.

O Departamento policial, retratado na série como extremamente corrupto e elitista é liderado pelo Capitão Connors (David Wilmot).

O Alienista, Dr. Lazlo Kreisler (Daniel Bruhl) é, então, convidado pelo desenhista criminal John Moore (Luke Evans) e pelo Chefe do Departamento de Polícia de Nova York, Theodore Roosevelt (Brian Geraghty), a iniciar uma investigação paralela que pudesse desvendar esse terrível mistério.

Os crimes – padronizados pela maldade, ritualísticos, com vítimas mutiladas, escalpeladas e castradas – são identificados pelo Alienista como provenientes do mesmo indivíduo.

Deste modo, é cunhado, então, o termo serial killer.

A partir daí, Lazlo lidera as investigações com uma equipe peculiar para a época. Enfatiza-se a participação de Sarah Howard (Dakota Fanning), primeira mulher do Departamento de Polícia de Nova York, secretária de Roosevelt.

Contudo, é ela que concentra liberação secreta da documentação necessária para que Kreizler ponha em prática suas técnicas de investigação.

O Alienista conta com uma variedade de subtramas que recheiam a série, dão brilhantismo ao enredo e aumentam o suspense.

A perseguição da polícia corrupta, romances, as idiossincrasias dos personagens, os empregados de Kreizler fazem do Alienista uma série completa.

A segunda temporada

De acordo com a distribuidora da série, a TNT norte-americana, haverá mudança no título para o lançamento da segunda temporada. No entanto, ainda sem data prevista.

O segundo livro da sequência de Cable Carr, publicado em 1997, é intitulado Anjo das Trevas. Para manter-se fiel às publicações literárias, tudo indica que será feita a alteração.

O sucesso estrondoso da série, tanto nos Estados Unidos como no mundo, acarretou na indicação de seis Emmys. Sobretudo, da melhor minissérie.

Confira O Alienista no Netflix.

O Alienista: Análise da série

Elenco

O trio estrelar do Alienista foi fruto de um casting impecável. E, a correta seleção dos atores que encabeçam produções é um dos fatores-chave para a criação de um produto-final memorável.

Assim como é impossível imaginar a fenomenal ‘Friends’ sem Jennifer Aniston, Courtney Cox ou Matthew Perry, o trio de O Alienista tem tudo para ser uma receita certeira.

As interpretações de Daniel Bruhl e Luke Evans são, praticamente, uma releitura de Sherlock Homes e Dr. Watson. Dakota Fanning, por sua vez, está impecável no papel de Sara Howard. À medida da evolução dos episódios é ela que capta a atenção do telespectador e rouba a cena sem dó nem piedade.

Ainda, David Wilmot está muito bem – ou muito mal – como Capitão Connors. Em determinado ponto, o espectador sente mais repulsa dele do que do próprio serial killer. É revoltante e nojento o personagem do policial irlandês corrupto.

Bela interpretação também dos atores Douglas Smith e Matthew Shear que trazem a vida os irmãos Marcus e Lucius Isaacson, cientistas forenses que passam a integrar a equipe de Kreizler.

Cenário e ambientação

A Nova York de Cary Fukunaga, criador da série, é sombria e misteriosa. Antes mesmo das interpretações, a ambientação dita perfeitamente o tom da trama.

O cenário do final do século XIX conta com ruas arenosas, carruagens, cavalos e arquitetura de transição. Há o evidente contraste entre o início dos skyscrapers da atualidade e os famosos cortiços da época. Marcos históricos são retratados em detalhes, como a Brooklyn Bridge e o Reservatório Croton.

Perfil psicológico dos personagens

Um dos fatores mais interessantes da série é introspecção da psique de cada um dos personagens principais.

À exceção da abordagem de Geraghty ao futuro Presidente estadunidense Roosevelt que se apresenta linear e pouco complexa, todos os personagens principais demonstram-se densos e misteriosos.

Tal fato acresce valor ao enredo. Sobretudo porque fica evidente que eles transferem experiências de suas próprias vidas para a investigação. O resultado é a montagem do primeiro perfil psicológico da história da criminologia.

Pedofilia, homossexualismo, racismo, genocídio indígena da Marcha para o Oeste, feminismo, corrupção, antissemitismo e muita violência são alguns dos temas ‘leves’ abordados pelos personagens.

Ao longo dos episódios é possível observar os embates dos personagens contra eles próprios e, por vezes, um contra o outro. Muitos jogos mentais e autoconhecimento são necessários para culminar na revolução da ciência forense que ficou tão em voga em séries como Criminal Minds e CSI.

Conclusão

A série é simplesmente sensacional.

O Alienista é uma das melhores produções já realizadas pelo Netflix. Impecável por qualquer ângulo de análise, com interpretações brilhantes, tem tudo para dar certo por várias temporadas por vir.

Recomendadíssimo a qualquer série-maníaco que se preze, O Alienista é excelente para aqueles dias que só uma boa maratona salva. Portanto, prepare a pipoca e o sorvete porque a série veio para ficar.