O Predador | Crítica: Reboot tenta resgatar sucesso da franquia

O Predador – a aguardada continuação da popular franquia estreou dia 27 de setembro de 2018, nos cinemas. Em bem verdade, o novo título está mais para um reboot do que necessariamente uma sequência da série.

O longa-metragem é uma tentativa – ênfase em tentativa – de tributo a franquia milionária de horror/ação/ficção do megastar Arnold Schwarzenegger.

Em retrospectiva, o filme original, de 1987, é a história da missão de regaste de um ministro estrangeiro. O oficial do governo é vítima de um acidente aéreo quando sobrevoava uma floresta da América Central.

Dessa forma, a equipe de elite do exército dos EUA, liderada pelo major Alan Schaefer – o “Dutch” – é destacada para a missão.

Em meio às suspeitas de que o político havia sido sequestrado por milícias e guerrilheiros, o esquadrão se depara com uma ameaça muito maior: um monstro alienígena assassino.

Dotado da famosa inteligência superior atribuída aos extraterrestres e fortemente armado, o Predador cria armadilhas para aterrorizar e matar suas “presas”. Tudo com muito sangue e requintes de maldade.

Assim, o filme foi um marco no cinema do gênero com efeitos especiais bastante inovadores para a época. Inclusive, tendo sido indicado ao maior prêmio da Academia, o Oscar.

O Predador: a franquia

Sobretudo pelo sucesso inicial, a 20th Century Fox deu continuidade com O Predador 2a Caçada Continua, de 1990. Este foi bem criticado e contou com nomes conceituados como Danny Glover e até o excêntrico Gary Busey.

Já em 2005, o estúdio aprovou o mash-up dos dois títulos que definiram o conceito fusional dos três gêneros de maior sucesso: ficção-horror-ação.

Alien vs Predador e Alien vs Predador 2 (2007) foram conceitualmente interessantíssimos. Entretanto, na prática, os filmes foram confusos.

O filme de 2005 até foi bem aceito pelo público, talvez pela ideia da união de duas franquias de muito sucesso. Contudo, o enredo foi fraco, os diálogos sem inspiração e as cenas de ação, repetitivas. E, o segundo filme foi bem ruim.

Mesmo assim, vinte e três anos depois, em 2010, o estúdio decidiu ressuscitar o título original.

Predadores, com nomes como o ganhador do Oscar Adrian Brody, Topher Grace e Alice Braga, foi inescusável de tão péssimo. A crítica destruiu o filme e o público concordou.

Dessa forma, sabe Deus por qual motivo, outra releitura de O Predador foi produzida. E, ao que tudo indica, será mais uma grande decepção.

Salvo o filme original, todas as sequências e spin-offs foram fracassos. Porque fazer mais um, não sabemos. No entanto, está nas telas dos cinemas.

A história

Quinn McKenna é um soldado de elite dos EUA. Durante uma campanha em região florestal da América Central, o sniper tem um encontro violento com um alienígena tele-transportado a Terra, da mesma espécie do monstro do primeiro filme.

Milagrosamente, ele sai ileso. E, ainda, rouba partes da armadura – um tipo de braçadeira de tecnologia avançada – e o capacete do alienígena.

Então, ele procede a enviar a armadura para sua própria família: a esposa, Emily McKenna e o filho autista, Rory McKenna.

O menino é super dotado e desvenda a tecnologia do uniforme alienígena. Desse modo, ele invoca um Predador muito maior e mais assustador, que o abduz.

Em contrapartida, após contato com o Predador que caiu na Terra, Quinn é levado pelo alto escalão militar para sofrer intervenções médicas. Isso porque “ele sabe mais do que devia” e o governo não quer que a informação vaze.

Assim, ele é diagnosticado como insano. E, é transportado em um ônibus militar, em conjunto com outros ex-soldados também, supostamente, com problemas psiquiátricos.

O grupo, conhecido como Esquadrão de Lunáticos é composto por: Nebraska Williams, Coyle, Nettles, Lynch e Baxley. Cada um com suas peculiaridades ou, no vulgar, doideiras particulares.

Em outro vértice da trama, a Dra. Casey Bracket, uma bióloga acadêmica é convidada pelos militares a visitar o laboratório secreto onde aprisionaram o Predador capturado na selva. Ela é solicitada para analisar o material recolhido e o próprio alienígena.

A convergência das duas subtramas se dá no segundo ato do filme, quando o alienígena preso escapa do laboratório.

Casey, McKenna e o grupo de ex-soldados caricaturais, então, se unem para capturar o monstro. E, antes de tudo, resgatar o menino Rory das garras dos alienígenas assassinos.

O elenco

Boyd Holbrook interpreta Quinn McKenna, o protagonista ex-sniper, traumatizado pela guerra.

O ator confere ao personagem uma característica de certo desafio a autoridades, ao mesmo tempo em que é destrutivo e assassino.

A Dra. Casey Bracket é trazida a vida pela atriz Olivia Munn. Bracket é a típica cientista perdida no cenário de guerra. Contudo, movida pelo sentimento do bem-maior, segue adiante.

Os lunáticos, por sua vez, são interpretados pelo comediante Keegan-Micheal Key (Coyle); o veterano Thomas Jane, interpretando o inconveniente e engraçado Boxler; Alfie Owen-Allen vive o ex-foca da Marinha, Lynch e, Augusto Aguilera é o pastor verborrágico que prega constantemente sobre o fim do mundo com versículos bíblicos.

Este último, inclusive, é uma ironia tácita sobre os aficionados em Jesus Cristo com sede de vingança e sem medo de matar.

Em seguida, Yvonne Strzechowski é EmilyMckenna, esposa do protagonista que está vivendo um momento de instabilidade conjugal.

Por último, Jacob Trembley, ator-revelação por Extraordinário, interpreta Rory McKenna. O menino autista é um gênio e considerado pelos Predadores como o símbolo máximo da evolução humana.

A crítica

Exagero. O filme peca pelo excesso.

O diretor Shane Black é o mesmo que atuou no filme original, interpretando o Sargento Richard Hawkins. Contudo, ele ficou mais famoso como roteirista da franquia Máquina Mortífera, na década de 80.

Neste reboot, Black tenta subverter o clássico de ficção e horror de 87 em uma crônica política. Entretanto, ele acaba criando uma sátira confusa, além de ofensiva e de mau gosto para muitos.

O filme é recheado por diálogos extremos, cenas absurdas até mesmo para ficção científica e uma comédia fracamente embasada.

Salvo momentos de humor sincero, a comicidade mistura-se com momentos dramáticos e catárticos. E, isto acaba por confundir o espectador quanto ao modo de enxergar os personagens.

Um elenco sem nomes de ponta e personagens sem destaques especiais também transmite a sensação de falta de originalidade.

Apesar de tudo, o terceiro ato do filme é composto por excelentes sequências de ação. Muito sangue, decapitações e gore, os últimos momentos do filme são estimulantes. Para os aficionados do título, talvez, isto seja o que há de mais próximo ao original.

Por fim, Jacob Trembley não erra e está muito bem no papel do menino autista. No entanto, ele não é capaz – nem se espera isso dele – de sustentar o filme sozinho.

Em suma, o Predador deixa a desejar. Assim como, praticamente, todas as tentativas de reproduzir o sucesso da década de 80, o filme fracassou no objetivo.

Realmente, parece ser impossível reproduzir ou continuar a história original com o mesmo sucesso.

Basta saber quantas vezes mais o estúdio vai criar expectativas elevadas no público e não entregar na hora H.