Bruno Heim
12 de setembro de 2018 23:50

Pequenos Delitos: Crítica sobre este filme policial do Netflix

Pequenos Delitos é um filme de suspense policial, original do Netflix, de 2017. Co-produção EUA/Canadá, o filme é uma adaptação do romance homônimo do autor Dave Zeltserman.

O longa foi lançado em abril de 2017 e foi todo filmado no Canadá. O tema do filme policial clássico com elementos bem conhecidos, neste contexto, tem um toque interessante trazido pelo suspense.

A produção tem uma hora e trinta e cinco minutos de duração e durante mais da metade desse tempo, a história não é realmente conhecida.

O filme retrata a difícil vida da criminalidade e a desconstrução da personalidade daqueles que arriscam esse caminho sem volta. Sobretudo quanto aos parâmetros sociais estabelecidos para impedir o caos. Contudo rígidos. Ainda, quem os infringe pode pagar muito caro por isso. Mesmo aqueles que já foram punidos continuam sendo cobrados, ainda que queiram se redimir.

O erro pode ter consequências devastadoras porque o sistema é corrompido e controverso. Aparentemente, não se pode fugir desse destino. Esta é uma mensagem muito clara no filme, o que também aumenta a intensidade da trama.

O enredo de Pequenos Delitos

Pequenos Delitos (Small Crimes, em inglês) é um filme de suspense policial, que conta a história de John Danton, um ex-policial que foi sentenciado a seis anos de prisão.

Ele cumpre a pena e sai, querendo reaver sua vida, mas é perseguido pelos erros que o levaram até ali. Quanto mais ele tenta fugir desse destino, mais ele se vê preso às dívidas do passado.

As dificuldades estão por todos os lados e ele tem que lutar para tentar se redimir. A maior de todas é a batalha que trava contra ele mesmo.

Antigos parceiros, a família que perdeu, os companheiros, ninguém lhe facilita a vida no retorno da prisão e ele se vê encurralado. A gravidade é tamanha que ele encontra-se até mesmo impedido de visitar suas filhas por ordem judicial.

Em meio a situações bastante confusas, ele encontra Charlotte Boyd, que parece ser a saída para um futuro melhor.

John Denton tem um destino que surpreende a todos. O final do filme é inusitado.

Os personagens

A trama se desenvolve em torno de John Denton, o ex-policial condenado. Ao sair da prisão, ele retorna para casa de seus pais, John Denton Sr. e Irma Denton. É perseguido por Dan Pleasant, antigo parceiro de polícia, que o ameaça para que ele continue na vida de crimes.

Phil Coakley, o promotor, fica insatisfeito em ver John livre e quer que seja condenado à morte.

Em meio à crescente dificuldade em se libertar da sua antiga condição, ele encontra Charlotte, enfermeira de Manny Vassey. Ela lhe infunde um pequeno sopro de esperança. Manny Vassey é o antigo Chefe e Protetor de Denton, entretanto um policial corrupto, sofrendo, agora de uma doença terminal.

A virada fica por conta da interação com o filho de Manny Vassey, Junior, completamente perturbado que odeia Denton.

Outro personagem que marca essa virada é Scott Caldwell, irmão de Billy Caldwell, cujo crime foi atribuído a Denton. Apesar de restar sobre Denton a morte do irmão de Scott, ele é um dos poucos que ajuda o protagonista.

Os atores

No papel de John Denton está o ator dinamarquês Nikolaj Coster Waldau, intérprete de Jamie Lannister, em Game of Thrones, da HBO. É um excelente intérprete em qualquer papel.

Robert Forster e Jacki Weaver, dois dos grandes nomes do cinema americano, interpretam os pais de John Denton. Só seus nomes nos créditos já dão ao filme enorme credibilidade.

Gary Cole, veterano ator de Hollywood, interpreta o antagonista de DentonDan Pleasant, o policial corrupto e ameaçador. Dan é um personagem bastante sólido.

A ganhadora do Emmy de Melhor Atriz Convidada por House of Cards, Molly Parker, interpreta Charlotte Boyd, a enfermeira que cuida do moribundo Manny Vassey.

Michael Kinney (Phil Coakley), Shawn Lawrence (Manny Vassey) e Pat Healy (Junior) complementam a trama.

Destaque especial vai para Macon Blair, no papel de Scott Caldwell, um sujeito atormentado pela morte do irmão.

Crítica

A escolha do título não faz jus à intenção do filme. O enredo é permeado por uma sucessão de crimes cometidos pelo personagem principal antes e depois da saída da prisão. Assassinato é considerado crime doloso. Todo o enredo gira em torno do assassinato de Billy Caldwell.

Em que pesasse uma dúvida sobre John Denton ter ou não cometido aquele crime, o fato em si é que ele ocorreu. O título costuma ser uma síntese dos enredos, então, a menos que seja uma ironia, o título é descabido.

A vida pregressa de John Denton foi marcada pelo desregramento contínuo, sem justificativas aparentes, que acabou por levá-lo à prisão. A vida posterior ao cumprimento da pena demonstra que a reclusão não o alterou em nada.

Não existe conflito no personagem principal. Não existe tensão, nem polarização ali. O que existe nesse personagem é um indivíduo sangue-frio. Essa é a simplória justificativa de seus atos.

Contudo, tal característica bem que poderia ter sido mais explorada pelo enredo.

Apesar disso, o enredo é bom, embora comum. O ator Nikolaj Coster Waldau, que interpreta John Denton consegue transmitir essa rasa dimensão do personagem. Um homem vazio, frio, em cujo discurso se constata a falsidade e a fraqueza. Diz querer redimir-se da vida anterior, no discurso, mas nas atitudes perpetua o erro.

Família

O personagem realmente antagônico ao protagonista está na figura do pai. Ele conhece o caráter do filho, mas procura não acusá-lo continuamente, mesmo a contragosto da figura materna.

O drama familiar interno é o que se destaca nessa trama como diferencial. Robert Forster, como sempre, dá solidez ao personagem do pai de John Denton. Já a mãe atua como contraponto.

Em uma sociedade ainda patriarcal, a mãe desempenha a função de protetora, de defensora dos filhos apesar dos delitos deles.

Irma Denton reage ao filho com uma autoridade paterna e acaba por sofrer o dano.

Suspense intrigante

Um aspecto interessante do filme é a não exposição de por que o personagem principal foi condenado. Durante mais da metade do filme, o espectador não sabe exatamente o que houve. Nesse sentido, o texto é instigante, pela subjetividade dos diálogos, mencionando o fato, mas não esclarecendo nada.

Enfim, no geral, o filme é bom. Os destaques como sempre vão para os atores que seguram essa trama, o ritmo de suspense e o desfecho surpreendente.

Assista a Pequenos Delitos, filme original, em cartaz no Netflix.

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