Perdidos no Espaço | Netflix: a série remake deste clássico intergalático

Perdidos no Espaço, série original do Netflix, é um remake da série homônima, criada por Irwin Allen, em 1965.

A primeira temporada foi lançada em abril de 2018 e a Netflix já renovou o contrato para uma segunda temporada.

Matt Sazama e Buck Sharpless assinam o roteiro, e Zack Estrin é o produtor dessa nova releitura de Perdidos no Espaço. A produção é da Legendary Television.

A série exibida entre 1965 e 1968 fez muito sucesso. Para os contemporâneos, quem não se lembra do Robô ou do engraçadíssimo Doutor Smith?

No entanto, a Netflix traz muitas inovações, especialmente quanto aos recursos tecnológicos na montagem dos cenários e dos próprios personagens.

Assim, Perdidos no Espaço é ficção científica à moda antiga que, agora conta com as vantagens da tecnologia moderna.

Perdidos no Espaço: enredo

A história conta a saga da família Robinson, colonizadores do espaço sideral. Pai, mãe e os três filhos viajam a bordo da Júpiter 2, cápsula espacial para viagens intergalácticas.

O ator Toby Stephens interpreta o pai, John, e Molly Parker é Maureen Robson, a mãe.

Os três filhos: Will (Maxwel Jenkins), Judy (Taylor Russel) e Penny (Mina Sandwall), completam a família.

Entretanto, também integram a equipe científica a Doutora Smith (Parker Posey), Don West (Ignacio Serricchio) e o Robô.

Na série original, o futuro distava 30 anos à frente daquela época.

Da mesma forma, nesta versão da Netflix, em um futuro próximo, a família Robinson vai colonizar um novo planeta.

A Terra tornou-se um planeta distópico, degradado e muitos colonos saem ao espaço em busca de sobrevivência. O objetivo dessa missão era levar colonos na nave-mãe, Resolute, da Terra para a Alfa-Centauro.

Entretanto, a missão é sabotada, a Resolute é atacada, fica à deriva e os colonos, perdidos no espaço. Eles aterrizam em um planeta hostil cheio de criaturas estranhas.

Daí por diante será uma luta diária pela sobrevivência e eles terão que fazer muitas concessões para se manterem vivos.

Uma série a frente do seu tempo

Em 1965, ano em que a série foi originalmente lançada, o ser humano ainda nem tinha pisado na Lua. Uma série de ficção científica como Perdidos no Espaço era uma novidade extraordinária que confrontava paradigmas.

Isto porque, ela englobava não apenas o imaginário popular, mas a possibilidade de uma expedição para colonizar outro planeta.

Aquilo que vemos nos dias atuais como uma realidade concreta para o futuro, especialmente no que tange à colonização humana em Marte, com pioneiros da ciência como Elon Musk, naquela época não passava de uma ilusão utópica.

A série tornou-se um clássico da ficção científica com personagens que permaneceram vivos na cultura popular, sobretudo na imaginação infantil.

Impossível esquecer o jargão do Robô, gritando: ”Perigo! Perigo!”, para Will Robinson, a cada situação perigosa.

E, ainda, as peripécias do Dr. Smith que se tornaram legendárias. Esse personagem, interpretado pelo saudoso Jonathan Harris, tornou-se um ícone.

Remakes da série original

Na verdade, a estética de Perdidos no Espaço era toda muito ingênua. Toda a história evocava uma aventura para crianças daquela época.

Durante muito tempo, desde o fim da série em 1968, os estúdios hollywoodianos tentaram reproduzir a série, sem muito sucesso.

Houve uma versão cinematográfica, em 1998 com Gary Oldman e William Hurt, evocando uma ambientação meio underground, que não funcionou.

Também houve a tentativa de uma série em 2004, que não passou do piloto, mesmo sendo dirigida por Jon Woo. Pasmem.

Pedidos no Espaço: a série

Atualmente, as coisas estão muito diferentes. Com o advento dos super-heróis da Marvel, tudo mudou.

Atualmente, há uma urgência para designs super arrojados. Tudo é feito por computação gráfica e os cenários desenvolvidos e manipulados por softwares são de última geração.

As narrativas se desenvolvem a partir de textos bastante elaborados. Nesse ambiente de vanguarda foi criado este novo Perdidos no Espaço.

Decerto que algumas mudanças foram executadas e necessárias. O personagem do Dr. Smith, por exemplo, agora é interpretado por uma mulher – a Dra. Smith.

A mudança de gênero desse personagem trouxe frescor a essa versão da série. De fato, a plataforma de streaming traz como premissa a valorização da temática feminista, com personagens fortes e autossuficientes.

Isto porque recriar um personagem tão aclamado é muito arriscado. Em vez disso, arbitrou-se por deixar fluir em cima das características essenciais do Dr. Smith que o consagraram, uma nova identidade.

Não mais Dr. Smith. Agora é “Dra”

A comediante Parker Posey interpreta a Doutora Smith e traz um novo frescor a esse personagem icônico.

Da mesma forma, o Comandante da Nave, nesta versão da série, é John Robinson, o pai da família. Na verdade, ele é o comandante da Júpiter 2. A Resolute, nave-mãe, abriga várias famílias de colonos, cada uma com uma mini-nave, dentre as quais está a Júpiter 2.

Na versão anterior, o Comandante da Nave era Don West, que agora é um mecânico meio desajustado. Excelente contraponto.

Outra novidade é a criação de um novo Robô. Agora, ele é um humanoide e até bastante visceral em oposição à inocência do primeiro.

Embora em essência permaneça a mesma ideia, essa versão de Perdidos no Espaço, retirou os elementos muito artificiais da série. As interpretações muito teatrais, como por exemplo, a do Dr. Smith, desapareceu, dando lugar a um humor mais mordaz da Dra. Smith.

Modificou-se o ritmo quase lírico da criação inicial.

A estética da ideia original de uma série de ficção científica comprometida com o universo infantil não existe mais.

Família “Perigo”

Ao contrário, Perdidos no Espaço, da Netflix, traz a mesma proposta das produções de sci-fi da atualidade.

Tensão, dramatização entre os personagens, cenários que evidenciam ambientes hostis, nesse caso, onde caem as naves. Tudo regado a tecnologia de ponta.

Outro fator diferencial é a elaboração dos personagens da família Robinson. Nesta versão, há uma tensão permanente nas relações entre os membros.

A dinâmica do casal, John e Maureen Robinson, está longe de ser a da família perfeita, mas a luta pela sobrevivência os aproxima.

Em seguida, dos filhos, o único que mantém o perfil inocente é Will Robinson. Sua relação com o Robô, que lhe é fiel, lembra muito Elliot e o E.T, de Spielberg. São cenas bastante comoventes.

Enfim, parece que, finalmente a reinvenção da série “Perdidos no Espaço” veio para ficar. E, tem tudo para dar certo.

Não perca esse reboot de muita qualidade da Netflix.