Spartacus: conheça a épica série de gladiadores do Netflix

As atrocidades do sangrento Império Romano servem de palco para a apresentação da série distribuída pela Netflix, Spartacus – Guerra dos Condenados.

Produzida pela TV Starz norte-americana, Spartacus exibiu quatro temporadas, entre 2010 e 2013, sendo bem recebida pelo público e crítica.

No quesito estético, a série se assemelha ao filme 300 (protagonizado por Gerard Butler – 2006), tecnicamente inovador, com cenas extremamente sangrentas. Violência explícita, gargantas cortadas, cabeças decepadas, intensas cenas de sexo, nudez e homens musculosos estabelecem um ritmo de excitação permanente.

A saga de Spartacus

O realismo e a ferocidade da dominação Romana sobre todos os povos foram bem representados na série.

Opõe-se, nesse sentido, à primeira versão de Spartacus, de 1960, do lendário Kirk Douglas, na qual permeava o ideal romântico do personagem.

Essa versão, entretanto, revela um Spartacus heroico, mas humano, sujeito a todas as adversidades dessa condição humana.  Este Spartacus não esconde sua fragilidade, a dor que sente no corpo e na alma, pela perda de sua mulher.

Esta vulnerabilidade, associada ao ritmo frenético do enredo, fazem de Spartacus, a série, um marco das produções televisivas.

O elenco e seus personagens

O elenco traz, na primeira temporada, Andy Withfield, ator australiano, interpretando Spartacus. Infelizmente, ele faleceu em 2011 e foi substituído por Liam McIntire, também australiano, que completou as outras três temporadas com excelente interpretação.

Seu principal antagonista é interpretado pelo ator fijiano Craig Parker.

No elenco principal, estão ainda os atores Viva Bianca, Kevin J. Wilson, John Hannah, Peter Mensah, Erin Cummings.

Como a série descreve um fato histórico e teve quatro temporadas , outros nomes de peso foram acrescentados a estes.  As figuras marcantes de Mannu Benet, Daniel Feuerriegel, Dustin Clare, Lucy Lawless, se destacam na trama.

A série teve múltiplos diretores e produtores. Não poderia ser de outra forma, tamanha a magnitude da produção. Uma série épica, de altíssima qualidade técnica, com roteiro e interpretações impecáveis. Acima de tudo, fiel à narrativa histórica.

O enredo de Spartacus

O enredo é bastante conhecido. Sobretudo é a história de um guerreiro originário da Trácia, que se revolta contra um Comandante Romano. Rebelde, acaba preso e escravizado.

Levado às arenas, embora fraco e muito ferido, ele luta com quatro gladiadores e mata a todos, tornando-se uma lenda.

Sem poder dizer o seu verdadeiro nome, recebe o codinome Spartacus. Pelo feito incomparável, recebe o nome do poderoso e renomado rei de Esparta, morto em combate.

Após a luta, em Cápua, Spartacus é salvo da morte na arena pelo Senador Albinus, atendendo ao pedido da multidão. Salvo, então, da morte iminente, é comprado por Batiatus e levado para receber treinamento como Gladiador. Ele passa a ser propriedade de Batiatus e treinado pelo Doctore Oenomaus, a lutar como Gladiador.

Daí em diante, ele luta todos os dias por sua vida e por uma recompensa ainda maior.

A luta pela sobrevivência

Durante as batalhas mais sangrentas ou mesmo como Gladiador, o que moveu o coração de Spartacus foi seu amor por Sura, sua mulher. Ela lhe foi tirada por Claudius Glaber, o Comandante, seu antagonista, e vendida para um mercador sírio. Invejoso, com sede poder, ele é casado com a filha do senador Albinus, Ilithya.

Spartacus angaria a confiança dos outros gladiadores que passam a seguir sua liderança.

Mais tarde, ele lidera a revolta dos escravos contra o Império Romano, lutando por liberdade.

As quatro temporadas se desenvolvem sempre nesse mesmo ritmo de excitação. Em todas há nudez, sexo explícito, intrigas políticas, corrupção, lutas, batalhas e morte. Sobretudo sangue, muito sangue.

Na última temporada, há uma homenagem a Andy Withfeld, o primeiro Spartacus, na série. As cenas são uma homenagem a ele. Bem emocionante.

Spartacus, guerreiro, gladiador, líder da sua época e exemplo de perseverança e força, para todos os tempos.

“Não há maior vitória do que sair desse mundo como um homem livre.”

São as palavras finais de Spartacus que ecoam desde então.

Crítica

Séries como Spartacus envolvem uma mega-estrutura empresarial, pelo porte da produção. Um trabalho magistral de pesquisa nos mais diversos campos, desde a pesquisa histórica até os mínimos detalhes.

Roupas, cenários, fotografias, maquiagem, decoração, todos os setores foram minimamente planejados à perfeição para criar uma série épica.

O quesito maquiagem, por exemplo, envolveu uma enorme equipe, para conseguir o efeito final desejado, em cenas tão grandiosas.

O número de temporadas foi preciso. Não poderia ser mais nem menos. A narrativa com todos os elementos históricos coube perfeitamente no número de episódios escolhidos, prendendo a atenção do espectador.

Em momento algum, o enredo perdeu a intensidade da narrativa. Inicialmente, a ideia que se tem da série é a de que ela vai tender para o apelo sexual para sustentar a trama. Entretanto, essas cenas são contextualizadas no momento histórico dentro do enredo de forma tal, que passam a funcionar como um subtexto.

Nada mais que a realidade

As séries épicas como Spartacus são uma tendência atual. O diferencial de Spartacus é que ela não evoca nada mais, nada menos do que a realidade. É catártico para o homem contemporâneo ver o mundo através de valores que andam subvertidos no mundo atual.

Homens lutando por um ideal. Homens lutando por liberdade, por honra, por dignidade, por amor e pela pátria. Esses valores são atemporais e sólidos, e são eles que sustentam a série.

Spartacus não recorre a nenhum poder mágico, nenhuma fantasia, nenhuma lenda. É o homem natural lutando pela sobrevivência em meio a um mundo hostil e opressor.

Narrativas sobre dominações sempre causam muito desconforto. Especialmente, quando se trata de impérios opressores como o Império Romano, imposto pelo terror e pelo medo.

A história, nua e crua

A série Spartacus leva ao espectador esse sentimento de desconforto, de incômodo, característicos do tempo em que vivemos. Essa é a dimensão que faz com que o espectador se prenda à série.

Quando se acaba de assistir a um episódio, o que permanece é um sentimento de inquietação. A série bem poderia (e quem sabe será) transformada em uma produção holywoodiana.

Considerando a estética, a pesquisa, a produção, a direção e óbvio, a interpretação dos atores, Spartacus foi uma série memorável. Deixou saudades até aqui, porque agora estão disponíveis no Netflix, as quatro temporadas da série.

É a prova viva que se pode fazer televisão de qualidade e realizar como esta, produções que valem à pena assistir. Confira a grandiosa série de Spartacus no Netflix. Vale lembrar que a série é recomendada somente para maiores de 18 anos, devido ao seu conteúdo.