TAU | Crítica: filme de ficção-científica sobre inteligência artificial do Netflix

TAU é um filme de ficção-científica e suspense, original do Netflix. Uma produção de tirar o chapéu e prender a nossa atenção do início ao fim. TAU possui uma abordagem muito intrigante e comum do século 21. A Inteligência Artificial – IA, tema bastante recorrente no mundo atual, é o foco principal da trama.

Revistas, livros, periódicos, teses, dentre outros, têm tratado deste assunto exaustivamente. É a teoria do homem versus máquina e quem sairia o vencedor desse embate.

Desde os primórdios da civilização, o ser humano vem sendo impulsionando pelo desafio de sobrepujar os elementos naturais e dominá-los. Todas as grandes invenções apontam para esse desejo de dominação.

Entretanto, nesse contexto, não é o mais forte, o mais destro fisicamente que vence, mas o mais inteligente. A inteligência e o conhecimento sempre foram molas propulsoras do desenvolvimento, não a força bruta.

A força física sempre foi um instrumento de poder nas mãos das mentes privilegiadas.

A inteligência artificial e a informação

Informação é o nome do poder na era contemporânea. O problema é que ela acontece em uma velocidade vertiginosa. É necessário a capacidade de armazená-las em um só lugar para que sejam manipuladas.

Se manipular bem ou mal, fica a critério de quem pretende dominar sobre todos.

O filme TAU aborda essa questão do gênio da cibernética, que quer ter o domínio sobre todas as informações. Ele cria uma inteligência artificial, mas quer ainda mais e, para seus experimentos, usa pessoas como cobaias.

Contudo, encontra uma mulher que faz da sua humanidade, uma poderosa máquina para se opor ao seu mundo artificial.

O enredo de TAU

TAU é um filme original Netflix, lançado em Junho de 2018, do Diretor Federico D’Alessandro que tem um currículo invejável. Reconhecido por Doutor Estranho (2017), Homem Formiga (2016), Vingadores e Thor, D’Alessandro foi a perfeita escolha para TAU.

Julia é uma jovem solitária que vive de pequenos roubos na noite. O que ganha com os roubos, ela paga seus estudos de música, mas nunca chega a ser suficiente. Vive de modo marginal sem ter quem se preocupe com ela.

Chegando a sua casa, em uma zona miserável, após mais uma noite de roubos, ela é vítima de um sequestro relâmpago e desmaia. Ao acordar, vê-se aprisionada e vítima de tortura por um maníaco, Alex, que se utiliza dos recursos cibernéticos para isso.

Ela descobre que há outras duas vítimas no mesmo recinto, mas ela é a única que se dispõe a escapar daquele lugar sombrio. Depois de ser submetida a implante de um chip em seu cérebro, mesmo com dor, ela consegue pegar uma tesoura.

Com esse instrumento, ela causa um estrago no seu cativeiro, tentando escapar. É re-capturada por um robô, Ares, um serviçal de TAU, o computador que controla todo aquele lugar.

O todo poderoso TAU

TAU é uma inteligência superior. Ele não apenas armazena os dados e os processa, mas também tem a capacidade quase humana de sentir. Ele é comandado por Alex, seu mestre e criador,  CEO de uma poderosa empresa do ramo da cibernética.

Alex está trabalhando em um projeto sobre Inteligência Artificial. É por isso que ele rapta os párias sociais, para usá-los como cobaias em seu projeto. Ele acredita que ninguém se importará em procurá-los e que eles não seriam capazes de se insurgir.

Júlia foi a única exceção à regra e passou a ser tratada de modo diferenciado. Contudo, passou a viver dentro da casa e a ter uma relação estreita com TAU, interferindo na relação deste com seu criador.

O elenco de “TAU”

O elenco principal é basicamente composto por três atores. Gary Oldman é a voz de TAU. Maika Monroe interpreta Julia e Ed Skrein, Alex.

O elenco de apoio surge somente nos primeiros 25 a 30 minutos de filme, as cobaias 1 e 2, os atores Fiston Barek e Ivana Zivkovic.

Têm também passagens rápidas pela trama, os Executivos da empresa de Alex, os atores  Dragoljub Ljubicic, Paul Leonard MurrayIrene Chiengue Chiendjo.

Também os dois entregadores, Greg De Cuir e Danijel Korsa, bem como logo no início do filme, Ian Virgo e Sharon D. Clarke, em uma única aparição.

TAU: Crítica

TAU é um filme que tem tudo para dar certo. Apesar do tema ser relativamente recorrente, o ambiente em que se desenvolve a trama é bastante contemporâneo. Há um quê do estilo de Cinquenta Tons de Cinza, na relação maníaca entre Alex e Julia.

A ideia básica do filme é traçar os limites da relação entre o homem e a máquina. O desejo que o homem com recursos ilimitados tem de dominar sobre tudo e todos estão presentes na ideia do filme.

No entanto, traz também o debate das diferenças sociais. Antagoniza o homem poderoso, de mente privilegiada, pela suposta mediocridade do indivíduo comum que acaba por superá-lo.

Os elementos para concretizar essa ideia estão no filme. Um homem solitário, extremamente rico e inteligente, com um arsenal tecnológico de ponta, desafiando o sistema. Vivendo segundo suas próprias regras, à margem de qualquer conceito de moral e de boa ética, respondendo só a si mesmo.

O problema é que o personagem ficou limitado exatamente a essas características do espaço-tempo. Não ultrapassou essa dimensão. Aquela em que revelaria a verdadeira intenção subjacente ao personagem: a de ser o todo-poderoso dominador do mundo.

O mal por trás da inteligência

Ninguém desenvolve um projeto de Inteligência Artificial apenas para receber 2 bilhões de dólares em troca. Ninguém sai por aí matando pessoas como cobaias para criar uma máquina inteligente e depois a entrega para outros manipularem.

A criação deste “ser” superior por si só revela sua verdadeira intenção. O próprio texto aponta para isso, nos diálogos entre TAU e Julia, quando o computador fala de seu criador.

Então, o que faltou ao filme não foram boas interpretações. Os atores, sobretudo a interpretação de Oldman, estavam muito bem. Os recursos técnicos de direção também foram pontuais. Até mesmo os diálogos, bem escritos.

Entretanto, o que faltou foi a essência da ideia do filme que não estava lá, mas muitas pequenas idéias perdidas no texto.

Faltou, ainda, desenvolver a tensão doentia entre Alex e Julia, que os atores se esforçaram por demonstrar em seus personagens.

Contudo, o único elemento melhor aproveitado foi o próprio TAU, que salvou a pátria e a donzela.

Vitória da máquina, no final das contas.

De qualquer maneira, o filme um bom entretenimento para uma tarde.