Vingadores: Guerra Infinita | crítica do filme dos super-heróis da Marvel

Definitivamente, uma grandiosa produção do Universo Cinematográfico Marvel, Os Vingadores: Guerra Infinita é o maior mash-up da história do cinema.

Este desejo de convergir histórias isoladas em um contexto maior é antigo e muitos tentaram, mas poucos – ou quase ninguém – conseguiram. Pelo menos, não tão bem quanto a Marvel.

Aliás, esta transição Marvel, dos comics para o cinema, merece ser estudada e transformada em matéria fundamental nas escolas de cinema. Isto porque, foram 18 filmes inspirados nos quadrinhos, com histórias rebuscadas e surpreendentemente intrincadas.

Apenas o começo da saga

Tão intrincadas a ponto de ser revelado em Vingadores: Guerra Infinita que as 18 histórias anteriores foram apenas um prelúdio da trama principal estabelecida no filme. Bem que o estúdio fez questão de aludir que os 10 anos de filmes são apenas o começo desta saga. Imaginem o que deve vir por aí.

Desta forma, a produção que chegou aos cinemas em abril de 2018 é a colcha pronta dos retalhos – os pedaços das histórias isoladas – dos filmes anteriores.

São muitas referências internas às tramas da última década, graças ao roteiro sensacional de Christopher Markus e Stephen McFeely. E, assim, o filme brilhantemente consegue organizar todas as histórias em um enredo lógico, complexo e extremamente referencial.

Vingadores: Guerra Infinita – História

Não é errado dizer que os Vingadores: Guerra Infinita tem uma história principal e é ela que garante a trama central do filme. Entretanto, conforme mencionado acima, o filme é repleto de mini enredos que compõe um grande todo – e que todo!

A história central do filme retrata a busca definitiva do vilão Thanos (Josh Brolin) pelas Joias do Infinito, principalmente, a Joia da Alma. E, para alcançá-las ele não poupará esforços de destruição em massa.

Joias do Infinito

Em retrospectiva, as Joias do Infinito são 6 pedras cósmicas extremamente poderosas que, unidas, têm o poder de controlar o universo.

São elas: Poder, Tempo, Mente, Espaço, Realidade e Alma.

Originalmente, cada âmbito do Universo era um ser, uma singularidade. Contudo, foram transformados em pedras pelas chamadas Entidades Cósmicas – Morte, Entropia, Infinito e Eternidade. A Morte sendo o mesmo ser que Thanos ama nas histórias em quadrinhos e por quem ele, intencionalmente, realiza os genocídios.

A propósito, recentemente, a Marvel lançou novo HQ contendo ainda maiores informações sobre as origens das Joias do Infinito. Segundo Infinity War Nº5, Loki foi o grande responsável por roubar todas as jóias e conseguir entrar na Pedreira dos Deuses. Lá dentro, Loki achava que encontraria o poder ilimitado do universo.

Entretanto, para desapontamento de Loki, o oposto ocorre. Dentro da Pedreira dos Deuses, ele vê-se cercado de milhares de pedras e, contrariamente a concentrar poderes, as pedras tornam-se comuns e sem qualquer valor sobrenatural.

São os Celestiais, isto é, os seres mineradores da Pedreira dos Deuses que as retiram e encaminham para diferentes partes do universo, o que as confere poderes diferenciados.

A caçada das joias

Dentro do UCM, a captura das pedras compõe o enredo de boa parte dos filmes, ao longo destes 10 anos de produção.

A Joia do Poder foi pela primeira vez mencionada em Guardiões da Galáxia. Peter Quill (Chris Pratt) encontra o artefato dentro do Orbe no planeta Morag. A pedra garante a quem possuí-la, acesso atemporal a todo poder e energia do universo. Desde sempre e para sempre.

De mesmo modo, a Joia do Tempo foi vista pela primeira vez em Doutor Estranho. A Joia da Mente, por sua vez, é vista em quase todos os Vingadores. E, a Joia do Espaço surgiu no UCM inicialmente em posse do Caveira Vermelha, em Capitão América.

Por último, a Joia da Realidade – aquela que concede desejos – aparece em Thor: Mundo Sombrio.

E, todas, atualmente, estão em posse de Thanos, após Vingadores: Guerra Infinita. Por isso as histórias são congruentes e vêm sendo elaboradas e contadas em detalhes há dez anos.

O filme (Spoiler, Spoiler, Spoiler!)

O início da película já dá sentido ao subtítulo: guerra.

Logo nos primeiros minutos, o filme referencia a Thor: Ragnarok e, Thanos catalisa um verdadeiro extermínio dos Asgardianos. Também, assassina brutalmente Loki (Tom Hiddleston) e Heimdall (Idris Elba).

Importante frisar o papel central que o deus Thor (Chris Hemsworth) adquire na trama. Finalmente, Thor ganha força, profundidade e potência, desvencilhando-se do tom cômico que o personagem acabou suscitando. O personagem é responsável por sustentar sozinho boa parte do filme.

Logo no início também, Thanos dá uma verdadeira surra no Incrível Hulk (Mark Ruffalo) – sim, é o que acontece.

Há cenas pesadas da Batalha de Wakanda, terra natal do Pantera Negra (Chadwick Boseman), onde o núcleo heroico luta contra a Ordem Negra. A estrutura é muito bem montada, com coreografias pontuais, efeitos visuais de última geração e recursos visuais, como tomadas aéreas muito bem selecionadas.

Nos HQ’s, a Ordem Negra é uma facção a serviço de Thanos. É composta por Próxima Meia-Noite, Corvus Glaive (marido de Meia-Noite), Fauce de Ébano, Estrela Negra, Supergigante e Cull Obsidian, filho de Thanos.

No filme, o único que ganha destaque maior é Fauce de Ébano (Tom Vaughan-Lawlor) que luta com o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), pela Joia do Tempo, em Nova York. O Doutor Estranho é auxiliado no núcleo formado pelo Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e o Homem-Aranha (Tom Holland). Eles suam a camisa para livrar o Estranho das garras do maligno Fauce.

Uma das cenas mais eletrizantes é o embate entre Próxima Meia-Noite (Carrie Coon) e a Viúva-Negra (Scarlett Johansson) e Okoye (Danai Gurira), em Wakanda. Cull Obsidian ou Black Dwarf (Terry Notary) também aparece causando dificuldade para os heróis.

Thanos

De fato, os objetivos de Thanos são muito maiores do que simplesmente alcançar as Joias do Infinito. O antagonista de Guerra Infinita não procura por auto-recreação e desejo de dominação. Thanos é um vilão humanizado e o espectador acaba desenvolvendo sincera empatia pela sua motivação.

E, essa é simples: superpopulação.

Titans, terra natal do vilão foi dizimada devido à escassez de recursos gerada pelo crescimento populacional desenfreado. E, para Thanos, somente com a aniquilação de metade da população do universo, seria possível retomar o equilíbrio dos ecossistemas e garantir riqueza e recursos para os sobreviventes.

A relevância dessa temática é muito grande para o contexto atual. A Terra sofre com a má utilização centenária de seus recursos naturais e já há dados concretos de que o planeta ruma brevemente para o desastre.

Por isso, pioneiros como Elon Musk e a Nasa estão desenvolvendo formas de colonizar planetas, a exemplo de Marte. A ideia é que, assim, seja garantida a continuidade da raça humana. Já estão em andamento expedições com o intuito de promover essa ideia.

Sendo assim, Thanos ironicamente prioriza a vida por meio da morte. Ele transmite uma sensação de “justiça” – mesmo que totalmente equivocada – por não enxergar sexo, raça, credo ou status social. A teoria de destruição em massa é aleatória.

É um vilão capaz de amar, haja vista que ele adotou Gamora (Zoe Saldaña) no planeta Zen-Whoberi. E, no filme, fica evidente a capacidade de gerar sentimentos nas cenas do seu confronto com sua própria filha.

Heróis

O que mais surpreende no filme é a quantidade de super-heróis contra Thanos. São cerca de vinte personagens tentando impedir Thanos de alcançar seus objetivos.

Um elenco estrelar dividido em núcleos elaborados de acordo com a mitologia dos quadrinhos. Sobretudo estrategicamente adaptados pela direção dos Irmãos Russo.

Joe e Anthony Russo criaram uma sensação de encaixe entre os personagens sem precedentes.

O núcleo de heróis mais curioso e interessante é a união de Thor aos Guardiões da Galáxia. Thor é jogado no espaço e bate de frente à Milano, nave dos Guardiões. A partir daí, une-se a Gamora, Rocket (Bradley Cooper), Drax (Dave Bautista), Groot (Vin Diesel) e Mantis (Pom Klementieff) para impedir Thanos de alcançar a jóia em posse do Colecionador.

Sem contar com o alívio extremamente cômico que são as interações entre o Senhor das Estrelas e o Deus do Trovão.

Um núcleo que ficou apagado e meio renegado foi o do Capitão América (Chris Evans) que fugitivo, associou-se a Viúva-Negra, Falcão (Anthony Mackie) e Máquina de Combate (Don Cheadle). Eles resgatam a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e o Visão (Paul Bettany), esse que tem posse de uma das Joias. E, interagem também com o Secretário de Estado interpretado por William Hurt, na sede dos Vingadores.

De modo geral, Vingadores: Guerra Infinita foi um acerto de ponta a ponta. Apesar de negligenciar alguns personagens em detrimento de outros, até isso tem um por quê. Este filme é a primeira de uma história que será contada em duas partes.

O segundo filme intitulado Vingadores 4, tem estréia prevista para o início de 2019. As  expectativas dos fãs para a sequência é palpável. É tempo suficiente para maratonar esses dez anos de história e aproveitar ao máximo o próximo longa.